Querida Messalina,
Escrevo-te para que venhas. Disseram-me sempre que és a mulher que vem aos homens e lhes faz justiça no corpo. Portanto vem, ataca-me, não me perguntes o nome, não fales sequer, vem, vem vem!
Sou velho, Messalina, vou morrer. Mas tu tens de vir, o meu corpo não pode morrer tão pouco satisfeito, sem umas mãos finas que o corram com a justa violência, que o risquem, que o humedeçam em suor lascivo, em correntes de saliva, que o engulam.
Podes ser bruta comigo? Podes ser o que tenho imaginado e ninguém me trouxe? Podes sujar-me?
Ah, Messalina…
Vem feita objecto, traz roupas obscenas, tira-as de forma indecente. Usa-me a pele, usa armas, usa-me o corpo que eu nunca gastei como quis, que por amor nunca emprestei, por pudor nunca rasguei.
Não tragas amor, Messalina, promete-me que não trazes amor. Traz o calor do teu lugar quente, traz volúpia no andar e jeito na língua e colo na boca. Traz um segundo de ternura para que me renda, para que não me arrependa. Traz sede, fome. Come.
Entrega-te à minha vontade como um animal, abre-te em ranger de voz e não soltes palavra, estou farto de poemas. Quero que te excedas em mim, que me deixes ir até onde eu ordenar. Quero que te canses só sete vezes depois. Tu aguentas, não aguentas? Eu não sei se aguento mas tenho medo que não aconteça… antes que eu morra.
Escrevo-te para que te faças carne em mim. Que faças de mim balouço.
Será esta a poesia, Messalina. Vem-me.
Vens?
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