Quando a fonética pede põe-se um acento: se a fonética exige é um acento agudo e se ela implora é um acento grave. Quando a fonática chora surge um acento circunflexo: põe-se-lhe um chapéu pra proteger das lágrimas. Quando a fonética fica doente há que colocar-lhe o til, na testa, como compressa. E quando a fonética se ri, sai-lhe a pinta do i.
Se a fonética cai, surge o seu amigo travessão para amparar. Com ele vêm outros amigos ortográficos: o hífen, para a defender dos perigos, e as reticências, onde por vezes saltita como se fossem nenúfares. O ponto de exclamação cai do céu e fica com ela a conversar, e o ponto de interrogação junta-se, como quem dança, abanando-se de cima abaixo e dando um saltinho no fim. Por último, quando a fonética adormece, contando carneirinhos entre os parênteses, faz-se um ponto final parágrafo.
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