terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ginástico #10 - Do riso gerador


Hoje acordei com o som do riso da minha mãe. Em sonho, que estou-lhe longe. Quando as pessoas se afastam, aproxima-se de nós a essência delas. A minha mãe e o som que faz no final do seu riso longo — a minha mãe tem uma felicidade cravada na carne que a generosidade lhe dá — colaram-se-me ao sono. Essas pequenas coisas: o riso, a forma de pousar as mãos no colo, a curva das costas, os sinais nas pupilas... são elas, já se sabe, que me farão falta. O carinho dela estará sempre comigo, já me deu suficiente para me sobrar para a vida inteira, não sentirei falta disso. Os ensinamentos também: vou demorar mais tempo a descobrir tudo o que ela me ensinou do que ela demorou a ensinar-mo. Só dos sinais físicos se ressentem os meus sonhos. Ou só pelos sinais físicos conseguem os meus sonhos fazer transbordar o que me deu a minha mãe. O resto sou eu.

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