– Eu, homem, recebo-te por minha esposa, a ti, mulher, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te todos os dias, aceitar que me conheças até ao desconforto, que me antecipes em todas as minhas acções, que me roubes o espaço mesmo sem querer e discutas as mais insignificantes coisas. Prometo nunca pressionar, nunca ceder. Prometo respeitar a tua liberdade e a tua forma incompreensível de ver as coisas. Amar essa incompreensão. Prometo adorar-te perante todas as mulheres mais espectaculares que tu, e proteger-te de todas as violências. Prometo ser-te fiel mesmo quando o meu corpo gritar por um corpo mais novo, ou simplesmente por um corpo novo. Mais do que isso, prometo nunca te trair. E inspirar-me em ti todos os dias até que a morte nos separe.
– E eu, mulher, recebo-te por meu esposo, a ti, homem, e prometo amar-te por inteiro, mesmo quando os dentes te caírem, deixares de pronunciar com nitidez e demorares tempos múltiplos a mover-te. Prometo voltar a casa depois das fugas e das angústias, lutar pela tua saúde e nunca deixar que o teu espírito adoeça. E respeitar a tua vontade, o teu corpo, e fazer carne da tua carne. Amar-te pelo que és e não te fantasiar outro. E alimentar o que és até que a morte nos separe. Prometo perdoar. Prometo ser generosa mesmo quando quiser ignorar-te, não te exigir o que não podes dar, acreditar sempre que amanhã te amarei mais e olhar para trás todos os dias com um sorriso sobre nós.
– Deste modo, já não sois dois, mas uma só carne. Portanto, não se separem e mantenham a promessa mesmo quando descobrirem tudo o que não sabiam prometer.
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