Ginásticos são exercícios descontraídos, textos prontos-a-ler, que saem do coração, e recusam a revisão.
Cada engelha sinto-o como uma ruga. Nesse aspecto, odeio este casal. Só me dão paz enquanto adormecem, sempre de rabos espetados um contra o outro. Não consigo decidir se os prefiro acordados ou a dormir: são como coelhos quando se enrolam e como formigas enquanto sonham. Reviravolta, pirueta, sobreposição, encaixe, enleio, enlace. É o léxico que aprendo com estes dois. Os pontos baixos e os pontos altos desta relação, se os há, devem estar eles próprios enrolados, que não lhes distingo dias bons ou maus, são frenéticos. Sempre pensei que uma cama fosse para descansar, mas neste quarto não: neste quarto dorme um casal sem apatias nem cansaço. Decidiram comprar-me por causa deste traço longitudinal que lhes separa o espaço em duas metades iguais. E até isso serviu para, subvertendo-o, inventar mais frenesim.
E eu, desgraçado, trabalho de noite e descanso de dia.
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