Hoje descobri que um escritor não é quem escreve mas quem se fez texto. É preciso imergir para além de uma funda fronteira, ter-se perdido, permanecer para sempre inutilizado, disperso do que se foi antes. E a partir daí ser infinita abertura, ou loucura: um solitário absoluto sem possibilidade de retorno.
Quem se faz escritor morre, talvez, porque mergulha na fina membrana das palavras, deita-se sobre elas e entrega-se, como quem faz amor. Depois emana de si sementes em formas literárias.
Um escritor nunca deixará de o ser, e nunca chegaremos a conhece-lo, como um louco. Como um morto.
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