sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Sentada na casa de banho vejo Alcântara-Mar, o rio e a outra margem. Ainda com os olhos cheios de sono analisei a paisagem para saber o que vestir. Ouvia desde que acordei a violência do vento a bater nas paredes, nas janelas e nas poucas coisas que tenho na varanda. Mas ali a apreciar aquela Lisboa através do vidro foi-me impossível perceber a intensidade da circulação do ar: só casas, ponte, ruas, carris, barcos parados, umas poucas árvores mas demasiado longe para lhes compreender a ondulação, o rio impune e o barulho, sobrou-me o som das rajadas: é tudo imóvel, o vento esforça-se mas pouco consegue incomodar, apenas as saias das mulheres e os objectos desprotegidos. Numa cidade que vista de cima é inanimada. Mesmo num dia de muito vento.
Saí de mini-saia e uma expressão de desafio.

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