Às 7 horas de um alvorecer no Alto do Longo, Porto e Lisboa abraçam-se pelo chão. O granito e o calcário estendem-se alternados formando padrões gémeos como se as cidades dormissem juntas na cama. O calcário de calçada branco elegante e luminoso forma caixilhos quadrados onde se deitam os paralelos de granito, grossos pesados e escuros.
Enquanto amanhece, sento-me neste banco que conta histórias indizíveis, passa um homem de bigode pessoniano, as andorinhas dizem bom dia e o sol vai apurando os contornos da cidade que acorda da serenidade. Sai de casa um casal com frio, os pombos pousam nos fios da electricidade e apagam os candeeiros que já é dia.
Eu espero a luz certa. A luz que me representará: o meio tom entre o Norte e o Sul.
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