Messalina,
Devassa, sua devassa! Devolve-me o que me tiraste. Não tens o direito, não tens o direito. Eu quero-te, amo-te, odeio-te. O que é que eu faço com isto tudo? Finjo dias serenos? Não posso, fervo. Devassa. Vens, penduras-te num homem qualquer, fá-lo acreditar na eternidade e partes. Devassa. Devassado. Eu dei tudo, eu dei tanto, eu procuro-te ainda. Anos depois. Onde está a luz que acendeste? A tua pele branca, branca. Eu tremia, minha devassa! Tu sempre com ar maternal: eu cuido de ti. Um homem qualquer entrega-se e depois vais-te embora como se nada fosse, arrastando um fio de paixão que me puxa ainda para ti e não consigo quebrá-lo, quebrado eu.
Devassa. Fazes-me doer, fazes-me ganir como cão a quem nunca mais volta o dono. Terás acontecido, Messalina? Talvez tenha fantasiado. Devassa como eu sempre quis, sonhei, procurei, esperei. E vieste e foste como se nada fosse. Nada veio, nunca mais. Devassa, devassa, devassa! Como é que apago isto? Por onde é que eu agarro para arrancar de uma vez por todas o que me prende a ti? Quero vomitar-te, devassa, desaparece. Penso que vejo ainda, por vezes, passar a tua sombra por mim. Assusto-me, arrepio-me, parece-me ouvir "Anda cá, eu tomo conta de ti." Era assim não era? Promessa curta. Ilusão, desilusão. Mas promessa tão grande, tão bela, o corpo curvo, as mãos sempre frias, o cheiro a jasmim, o sorriso enigmático as pernas macias elásticas tão abertas o teu corpo devassa devassa devassa.
Sai.
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