Eu, no entanto, viajo muito dentro de mim. Se pudesse carimbar estas viagens em passaporte válido seria por certo muito mais ilustre cidadã desta sociedade obcecada com o lado visível das coisas.
Eu sou odisseias dentro de um corpo, sonho acordado, acordo entre os pesadelos e as alegorias sobre um canto ou o chão mais banal.
Eu sou o grande peixe e as suas parábolas falazes, perco-me nos poros da fantasia. Sou ficção.
A minha biografia não será escrita. Não posso deixar que me contem sem descreverem por onde navegou a minha imaginação. E não consentirei que assentem em palavras o que nunca foi matéria, porque sei que as palavras são ainda impotentes para dizer sobre o intangível o que quer que seja.
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