É sempre a mesma coisa. Levanta-se e cozinha. Sumo de laranja para as defesas. Kiwi às rodelas para o intestino. Cereais integrais para a saúde. As crianças berram. Leite bem bem quente. Café, cheiro a café. Para a concentração e energia. As crianças com os olhos de sono. Não fazem ideia o que perderam. Sol nas cortinas, a entrar pela janela. No pão barra-se o queijo. No queijo o doce. As crianças sujam-se. A mãe cozinha. As coisas que perdemos são beijos transferidos pela boca para outro mundo, pensa. O pai quer ovos mexidos. E espargos. Verdes. Frescos. A manteiga derrete-se nas torradas. A mãe derrete-se com as crianças. Cantam. Bom dia mundo, cantam. O pai sorri e queima-se na chávena. As pessoas que perdemos são feridas abertas para sempre na carne interior. É sempre a mesma coisa.
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