quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Frio

Têm habitado o céu os tons invernais: azul e verde. O céu nestes dias só consegue cores frias. Tons líquidos e luminosos, glaciais.
Abrem-se no azul pálido, na hora do ocaso, grandes olhos celestes e gelados que se atrevem do verde-água ao amarelo-translúcido. Nos ramos despidos reluz de vez em quando um raio estelar de uma gota de água espelhando o sol. Espreguiço da luz.
Eu aqueço-me de palavras, com o hálito doce dos livros e as labaredas inflamadas que vomito em papel. Gelam-se-me as mãos, e os pés. Aquenta-se o pedaço de inverno que me habita sempre.

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