segunda-feira, 22 de junho de 2009

Intervalo

Uma luz diáfana, quase indesvendável, rondando as formas misteriosa e brutalmente. Não; uma luz clara e extensa iluminando até o que não está. Uma luz quente, de rio tímido e antigo; não, uma luz fresca de manhã que perdura pelo dia e acaba à noite num rio imenso. Uma luminosidade austera, guardando para dentro toda a história da cidade. Não, uma luminosidade graciosa, branca, rosa e amarela; não: escura, granítica; não: calcária, transparente.
Um brilho misterioso numa rua apertada, apontando apenas a ponta de uma intriga. Não, uma incandescência que amplia a calçada e exalta as sombras.
Uma cidade escura e quente e uma cidade iluminada, fugidia. Não: um caminho de centenas de quilómetros. Sim: não saber onde me situo.

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